quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


SEGUNDA-FEIRA SEM TRABALHO


Nunca pensei sentir tanta falta de uma segunda-feira e não querer férias quando se mais precisa dela. Queria uma segunda-feira feira cheia de trabalho e enfadonha, mais cheia de proficuidade e feliz pelo ofício exercido. Uma segunda-feira para acordar cedo, lavar-se de alma e corpo (correr entre atrasos por lavar os cabelos e o tempo no banho que se excede) e apressar-se desejosa de utilidade para àqueles que se servem dos banquetes utilitários de uma labuta simples, revigoradora e realizadora.
O trabalho faz de mim gente, o ócio faz de mim um ser pesaroso, cheio de fastios e de sofreguidão. No trabalho há uma felicidade expressiva que só a alma não preguiçosa pode saborear, a lida para o empregadito preguiçoso é penoso, é árduo... Mas, para o desempregado, a ausência do exercício do sua profissão tem sabor de humilhação no sentido epistemológico dessa palavra. Pois nos rendemos, nos prostramos diante da inutilidade, da improficuidade por sentir-se infértil onde o que mais se deseja aquele que tem o dom de servir, de ser útil a sociedade é saciar a sede diante da esperança sedenta de um serviço, de diligência e de prontidão!
Há que saudades das segundas-feiras, entre cafés da manhã disputados entre guloseimas nada sadias de colegas menos precavidos dos cuidados com a saúde entre as frutas, vitaminas e integrais daqueles que pensam além da beleza física. Saudades até do chato despertador às 6:00h da manhã tocando insistentemente a mesma canção para lembrar-me que ser útil não ter pressa e sim compromisso.
Mais sou grata a Deus porque além da esperança, carrego no meu peito outro dom, o da perseverança daqueles que não desistem mais que resistem as dores pela fé.

(Izabel Tavernard)

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